October 31
FAZER O BEM FAZ BEM

Psicólogos, neurologistas e epidemiologistas estão afirmando que agora
está cientificamente provado: ajudar o próximo traz benefícios para a
saúde de quem ajuda. Fazer o bem é bom para o coração, o sistema
nervoso, o sistema imunológico, aumenta a expectativa de vida e a
vitalidade de um modo geral.
Hoje, uma nova moral voltada para o
coletivo se manifesta de modo cada vez mais claro. Desde os movimentos
ecológicos até as iniciativas menos conhecidas, como o do pediatra
Edson Mantovani, que atende gratuitamente nas favelas de São Paulo, ou
da esteticista Janine Goossens, que uma vez por semana leva sua equipe
para cuidar dos pacientes do Hospital do Câncer, cada vez mais pessoas
estão abrindo mão de seu tempo em benefício da comunidade.
Os
benefícios psicológicos derivados da ajuda aos outros foram bem
documentados. Em um projeto realizado nos Estados Unidos ao longo de
dez anos, 2700 pessoas foram estudadas, a fim de verificar como o
relacionamento social afetava sua saúde. Os pesquisadores descobriram
que o fato de realizar regularmente trabalho voluntário, aumentava
muito a expectativa de vida, principalmente dos homens, que tinham
taxas de falecimento duas vezes e meia mais baixas, do que os que não o
faziam.
Surpreendentemente , a taxa de mortalidade entre as
mulheres reduzia pouco, talvez porque a maioria das mulheres já gasta
muito tempo cuidando dos outros, mesmo sem ser em trabalho voluntário.
Outros dados dessa pesquisa mostram que as pessoas que têm muitos
contatos sociais tendem a viver mais do que aquelas que preferem o
isolamento. Tudo indica que mesmo ocupações inócuas como ler ou relaxar
podem tornar-se prejudiciais se usadas para aumentar o isolamento.
O
dar e receber dos programas de ajuda afetam também, diretamente, o
nosso sistema imunológico. De fato, como foi verificado em uma pesquisa
feita na Universidade de Harvard, parece que até mesmo ver os outros
ajudando terceiros, melhora o funcionamento imunológico. Após a
exibição de um filme mostrando madre Teresa de Calcutá cuidando de
doentes e moribundos, análises químicas feitas em estudantes
evidenciaram um aumento de imunoglobulina A, um anticorpo que ajuda a
defender o organismo contra infecções respiratórias.
Este
aumento da imunoglobulina A foi evidente até mesmo entre pessoas que
disseram não gostar de Madre Teresa. Segundo os teóricos, ao fazer o
bem, despertamos gratidão e afeto, sentimentos que nos provocam uma
sensação de bem estar. Essa sensação poderia ser causada pelas
endorfinas produzidas naturalmente pelo cérebro. Seguindo essa linha de
pensamento, podemos concluir que uma importante função do cérebro é
proteger o corpo de doenças.
É possível que o cérebro tenha evoluído dessa maneira para garantir a sobrevivência da espécie.
Os
seres humanos dependem uns dos outros. As comunidades de caçadores
pré-históricos são o primeiro exemplo de saudável vida cooperativa.
Os indivíduos precisam estar solidamente ligados a um grupo maior para se sentirem protegidos.
Somos
feitos para depender do grupo, e quanto mais contribuímos para a
sobrevivência do grupo, tanto mais somos sadios e mais valiosos para o
grupo.
Ao contrário, a hostilidade, que é o oposto do altruísmo,
coloca nossa saúde em risco. Pesquisas demonstraram que quanto mais
hostil a pessoa, tanto mais fechadas as suas artérias coronárias e
maior o risco de doenças cardíacas. A consciência de que o altruísmo é
bom para a saúde pode ter um profundo efeito social.
Quase todos
nós precisamos sentir que somos importantes para alguém. De acordo com
as pesquisas, o ideal é termos alguma atividade realmente voluntária.
Para que o altruísmo faça bem à saúde, é preciso estar no controle da
situação e ter outras escolhas possíveis.
Este aspecto bastante
egoísta do altruísmo parece barateá-lo. Mas não podemos esquecer que
conseguimos sobreviver e evoluir graças a um complexo jogo de fatores,
e se é verdade que ajudar os outros faz bem para nós, é verdade ainda
mais evidente, que faz mais bem, quando ajudamos com amor.